Opinião

Paraíba tem seis pré-candidatos ao governo e cenário eleitoral cheio de incertezas

Ao menos seis pré-candidatos disputam o governo da Paraíba: uns do campo progressista e costuras mais amplas, com diferentes tecidos ideológicos, sobretudo na pauta econômica; outros mais alinhados às pautas conservadora e neoliberal. Vamos a eles:

João Azevêdo (PSB) tenta a reeleição e permanece com a composição da chapa majoritária em aberto. Os nomes para as vagas de vice e do Senado ainda não foram definidos, muito em função, no que diz respeito ao Senado, do imbróglio envolvendo o Republicanos, que declarou apoio a Efraim Filho (União Brasil), e o Progressistas, que aposta em Aguinaldo Ribeiro apesar de este ainda não ter confirmado sua pretensão com todas as letras. João não tem demonstrado pressa no fechamento da chapa. Fala em unidade, mas tem sido sempre muito evasivo quando questionado. A condição que tem deixado clara para quem estiver no seu time é o apoio à candidatura do petista Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República.

A vice-governadora, Lígia Feliciano (PDT), também está no jogo como representante do campo progressista. Ela vem assumindo o discurso de pré-candidata ao governo da Paraíba há algum tempo. Ainda em dezembro do ano passado, o filho dela, Gustavo Feliciano,  entregou a secretaria estadual de Turismo, e, durante a janela partidária fechada em primeiro de abril, o  deputado federal Damião Feliciano, marido de Lígia, se filiou ao União Brasil, selando a posição do grupo no terreno da oposição. Lígia é médica, disputou o Senado em 2002;  em 2018 foi candidata à vice-prefeita de Campina Grande. Elegeu-se vice-governadora em 2014 na chapa do então governador Ricardo Coutinho (PSB), sendo reeleita em 2018 na chapa de João Azevêdo.

Pedro Cunha Lima (PSDB) representa um das legendas de maior tradição no estado. Apesar da crise tucana no país em função do surgimento de novas legendas e de seu alinhamento ao governo Bolsonaro, o PSDB foi o segundo partido em número de prefeituras conquistadas nas eleições 2020 na Paraíba (perdendo só para o Cidadania, ex-partido do atual governador) e vem apostando na juventude de Pedro e na ideia de renovação para atrair o eleitor. Será a primeira disputa vez que ele disputa o Executivo que carrega no currículo a marca de candidato a deputado federal mais votado na Paraíba em 2014. Pedro é filho do ex-governador do estado Cássio Cunha Lima.

Na lista também entra o radialista e apresentador de TV, Nilvan Ferreira (PL), um dos representantes da extrema-direita. Ele disputou as eleições municipais de 2020 pelo MDB, foi para o segundo turno, mas acabou derrotado por Cícero Lucena (Progressistas), atual prefeito de João Pessoa. Nilvan passou pelo PTB, tornando-se  presidente do Diretório Estadual. Filiou-se este ano ao partido de Jair Bolsonaro e ganhou o “status” de candidato do presidente Jair Bolsonaro.

Pelo PSOL, Adjany Simplicio. A professora e presidente da Sigla na Paraíba é também novata nessa disputa e entra para engrossar o caldo da esquerda com apoio à candidatura de Lula para presidente e a proposta de lançar candidatura coletiva de mulheres negras para a Assembleia Legislativa. É a candidatura mais à esquerda de que se tem notícia até aqui.

Por último, mais um estreante na disputa pelo Palácio da Redenção: Veneziano Vital do Rêgo (MDB). Advogado e senador desde 2019, “Vené” esticou a corda pela candidatura própria tempos atrás, quando tentou, ainda na base do governo, uma aliança com Cássio Cunha Lima e Efraim. Já foi prefeito de Campina Grande (2005 a 2013) e deputado federal (2015 a 2019), é filho da também senadora Nilda Gondim (MDB), e irmão de Vital do Rêgo Filho, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

Postas essas informações, restam algumas considerações: infelizmente, as duas pré-candidaturas femininas são pouco competitivas. No caso do PSol, a dificuldade se dá pela resistência às pautas anticapitalista, socialista e feminista por parte de um eleitorado altamente conservador. Sobre Lígia… há risco enorme da pedetista ficar pelo caminho. Ela está isolada, sem apoios, em um momento do jogo em que alianças fazem uma grande diferença. Embora conte com o presidenciável Ciro Gomes, no cenário de bola divida entre Lula e Bolsonaro, esse capital pouco peso tem.

A oposição de direita está dividida com duas candidaturas bolsonaristas. O fato novo é que agora estão organizadas, dando ao jogo nova dinâmica. Se é verdade que, formalmente, a campanha ainda não começou, é verdade também que Nilvan e Pedro tiram de João posição confortável que se viu outrora. Ambos ainda podem formalizar uma união. A possibilidade existe já que a ideia é maximizar resultados e forçar uma disputa em segundo turno. Do lado do centro, a composição local MDB/PT é um espinho no pé de João e também das oposições, mas há questões nacionais que podem alterar completamente a cara da competição, a exemplo da chapa PT-PSB, com Lula e Geraldo Alckmin. Se vingar, a composição poderá afetar acordos regionais. Significa que o PT paraibano, hoje fechado no apoio a Veneziano, terá que se reposicionar? Nada em concreto.

Perceba que há muitas incertezas. Até cinco de agosto, quando findam as convenções partidárias, nomes poderão ser engolidos, surpresas podem aparecer, inclusive no eixo do MDB (sobre esse ponto, especificamente, trataremos em outra oportunidade). Por hora, mesmo que as articulações políticas tenham sido antecipadas em função das novas regras eleitorais, do fim das coligações para proporcional, da possibilidade de fusão entre partidos e federações partidárias, os prazos são rígidos. João Azevêdo se fia nessa gordura temporal para acertar o passo com os aliados – estratégia que já provocou baixas. Mas não só nisso. Ele espera um aceno de Lula.