Opinião

Fusão de partidos: por que DEM e PSL querem virar um só?

Atualmente,  há 28 partidos com representação no Congresso Nacional e mais bancadas com menos representantes. Com o fim das coligações, aprovado em 2018 e mantido agora pelo Senado para reduzir o número de legendas e a fragmentação partidária – contrariando interesses deputados federais – o sistema caminhada para uma nova configuração com a fusão de partidos. Em jogo: a sobrevivência.

O esquenta foi em 2020, nas eleições municipais, com o fim de coligações para eleições proporcionais, o que barrou aberrações em uma mesma chapa do tipo que produzia alianças das mais improváveis, sem qualquer cola ideológica. Além desta limitação, a cláusula de barreira também representou e representa um freio na proliferação de partidos ou na manutenção de certas agremiações que, a depender do desempenho, não terão direito a recursos do fundo partidário. Sem esse “oxigênio”, muitos vão murchar . Se reinventar será preciso.

A saída pode estar na fusão de siglas com alguma semelhança. DEM e PSL já anunciaram esta como solução para 2022. Um, embora entre os mais tradicionais, perdeu potência nos últimos anos e hoje conta com 28 parlamentares na Câmara dos deputados; o outro, turbinado por Bolsonaro, cresceu, conquistou a segunda maior bancada, com 53 deputados atualmente, garantiu verba, mas deve desidratar com a abertura da janela que permite migrações entre partidos a partir de março do ano que vem, visto que não conta mais com o presidente em seus quadros.

O que querem com essa união? Expressão ou relevância. Mais: a possibilidade de conseguir musculatura para tentar construir uma terceira via e invalidar Lula ou Bolsonaro. Esse combo de direita terá força pra isso? Não é impossível, mas é difícil pelas condições postas até aqui. A coluna já trouxe, em outras análises, leituras sobre o tema. Por hora, basta dizer que Bolsonaro, como governo, ocupa um dos polos da disputa política. Ainda como herança de 2018 e como resposta à agenda regressiva, antissocial, privatista e elitista do governo – sem fala da inépcia da gestão na crise pandêmica – o PT, por sua base orgânica e pela reconquista dos direitos políticos de Lula, voltou ao páreo.

Na Paraíba, o deputado Efraim Filho (DEM) tem comentado sobre a fusão. Diz ele, que é também coordenador da bancada federal em Brasília, que o novo partido vai mudar de nome e que terá a maior bancada do país no Congresso Nacional. O paraibano não leva em conta a taxa alta de discordância de um lado e de outro. De todo modo, a ideia é maximizar as possibilidades e os ‘lucros’. O presidente do PSL na Paraíba, o também deputado federal Julian Lemos, anda entusiasmado com a fusão. Acredita que seria um jogo de ganha-ganha para os envolvidos.
Se o fim das coligações e o começo das fusões – ou ainda a possibilidade de federações partidárias já aprovada desde 2015 – serão caminhos para a estabilidade, se vão representar o fortalecimento de partidos e das Instituições e auxiliar na qualidade do Legislativo e na retomada de confiança do cidadão na política, ainda é uma incógnita. De qualquer modo, marca um novo tempo na chamada democracia representativa. Não é a ideal, não representa a diversidade da população porque limita a participação de grupos minorizados e/ou subalternizados, mas é um avanço importante na busca por uma democracia participativa.

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